quinta-feira, 10 de março de 2011

ARTIGO - “Eu quero justiça!”

Quando pessoas carentes são acometidas com uma situação trágica, com a perca de um ente querido por conta de um homicídio, por exemplo, quase sempre ouvimos a expressão “eu quero justiça”. Veio-me então o seguinte questionamento: qual a ideia que essas pessoas tem sobre “justiça”? O que é a “justiça” para elas? Quem pode atender ao apelo, quem pode lhes dar “justiça”?
Afora o sensacionalismo proveniente dos diversos meios de comunicação, essas pobres pessoas, em sua generalidade pouco instruídas, imploram uma “justiça” que, no mais das vezes, parece idílica. O pedido delas situa-se no limiar entre a “justiça” dos homens e a “justiça” divina. A esperança nesta é a do porvir, quiçá maior do naquela, na qual não parecem acreditar muito, malgrado também a procurem. Elas não sabem, em verdade, qual “justiça” as consolará.
A frieza da lei não cabe em determinados casos singulares. Situações sui generis requerem uma compreensão maior do que a letra da norma estipula. Essa compreensão chama-se sentimento de “justiça”. Nossos magistrados devem ter esse sentimento. Devem também estar mais próximos dos que clamam por “justiça”, do povão mesmo, para que verifiquem in loco a peculariedade dos casos, que, quase sempre,  são muito mais do que está escrito em folhas de papel.
Cada caso tem sua particularidade, e todos os conflitos devem ser arbitrados por quem possua um sentimento apurado de “justiça”. Chegará o dia em que o clamor dos mais necessitados por “justiça” será atendido? Quem os auxiliará primeiro: a “justiça” dos céus, da esperança divina, ou a dos homens, na qual já não se crê? Enquanto isso continuam a reclamar uma “justiça” que, a cada tragédia, a cada perca, está mais distante de ser conseguida.


Rainer Henrique Abreu Riedel da Costa
Acadêmico do curso de Direito da FGF (Faculdade Integrada Grande Fortaleza) 

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